quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Uma estrelinha

Um namorado escreve para a namorada. Seu coração pensa nela o tempo todo, em cada letra... Minha cartinha destes 2 anos é uma história. A história de um Céu que um dia se apaixonou por uma estrela...
***

Há quem jure que seria um amor impossível. Mas se nesta afirmação houvesse alguma gota de verdade, esta história não se daria.
Há muito, muito tempo atrás quando tudo ainda era escuro, uma genial ideia teve O Criador de todas as coisas. Ele olhava a imensidão do universo, e sentia que alguma coisinha estava faltando.  Reuniu-se com as pessoas sábias e tomou uma decisão: dividir o mar.
“Mas como isto é possível?” – diziam uns... “Não, isso não!” diziam outros...
O fato é que O Criador já havia concebido tudo em seu coração e assim seria. Levantou-se, caminhou até o mar, e no meio da escuridão fez brotar uma luz imensa. E o mar se dividiu e sobre ele agora havia uma abóbada negra, que ele chamou de céu. Ele viu que era bom. Sentiu-se contente.
Aquela abóbada negra era apenas iluminada pelos raios do Criador quando este sentava-se na beira do mar para admirar o que criara. Ele sentia que era necessário sua criação receber luz de outras fontes, ser iluminada o tempo todo. Da alegria do criador e de um beijo carinhoso em seu céu, nasceram as estrelas. Milhões, milhões...
Agora sim – pensou Ele – posso admirar esta obra como ela de fato deve ser. Preenchida com as belas cores brotadas do brilho de cada estrela.
Uma bela noite, o Céu estava cochilando, quando ouviu uma estrelinha espirrar. Ele estranhou, porque geralmente as estrelas estavam sempre cochichando entre si, e não o deixavam dormir. Mas aquela estrela pequenina espirrou, e o Céu foi perguntar para ela o que estava acontecendo.
-As estrelas cadentes espirram, senhor Céu.
-Não pode ser! Vocês falam o tempo todo!
-Você não entendeu. Eu sou uma estrela cadente. Nós espirramos, porque assim somos.
O Céu ficou intrigado. Como poderia uma estrela espirrar? Poeira no universo? Talvez. Mas ele decidiu perguntar à pequenina estrela de onde ela veio. Brilhando como nunca, a pequena apenas disse:
-As estrelas cadentes apenas servem para fazer as pessoas sonhar.
-E como vocês conseguem isso?
-Toda vez que passeamos pelo céu, alguém nos vê e faz um pedido. Nós não podemos atender, porque somos estrelas e criaturas... Mas Deus pode. O que fazemos é lembrar às pessoas que é preciso sonhar, para acreditar que a felicidade existe.
- E a felicidade existe, estrelinha?
-Sim, ela existe. Ela é a minha matéria prima.
O Céu começou a ficar triste. Percebeu que não era feliz, que ele tomava todo o espaço, servia de cenário para muitas coisas... Milhões de anos se passaram, muitas e muitas conversas com a estrelinha... Até que um dia ele se arriscou a perguntar:
-Mesmo eu consigo sonhar?
-Mesmo você!
-Eu quero sonhar!
A estrelinha pegou na mão do céu, e juntos foram passear. Foram até a beira do mar, sentaram-se e olharam para cima:
-Está vendo alguma coisa? – disse a estrelinha.
-Não vejo nada. Está tudo escuro!
-É porque você não está lá, seu bobo. Quando você não está, nós não podemos trabalhar, porque dependemos de você, da Lua... Muitas pessoas sentam-se para olhar o céu, porque ele é infinito... E em você eu posso andar para lá e para cá, e fazer as pessoas sonhar!
O Céu ficou comovido porque se dava conta do tamanho de sua importância... Mas, sentia uma outra coisinha, uma pontinha que pinicava...
-Não sei como vou lhe dizer isso, estrela... Mas estou apaixonado por você!
-Senhor Céu! Está confundindo as coisas! Na verdade estou lhe fazendo sonhar!
Talvez até pudesse ser. Mas quem iria convencer o Céu? Deus, talvez. Os dois ficaram em silêncio um pouco. A estrela desconversou e disse que precisava ir.
Os dias passaram. As noites. Os séculos. Mas o amor do Céu pela Estrela não passava. Ele até já tinha tentado se convencer que estava sonhando porque havia conversado com uma estrela cadente. Até conversou com outras, mas nenhuma tinha o brilho daquela pequena estrelinha.
O Céu andava muito inquieto, muito ansioso porque o espirro daquela pequena estrelinha tinha deixado para sempre, uma marca profunda em seu coração. Até que um dia ele foi falar com Deus...
-Diga Céu. Sente aí. Quer café?
-Não Deus. Obrigado. Preciso falar-lhe.
-Diga filho.
-Há muitos séculos estou apaixonado pela Estrela Cadente. Que faço? Eu posso amá-la? É certo? Será que ela me ama? Será que seremos felizes?
Deus calmamente coçou sua barba, ajeitou a sua túnica e disse, olhando no fundo dos olhos do Céu:
-Querido filho. O tempo é algo dos humanos, mas serve para ti também. Espere. Nada se perde esperando um pouco. As coisas quando precisam acontecer, acontecem segundo sua ordem natural. Nada está fora do meu controle, e tudo caminha para a felicidade de cada um dos que criei. Quando te separei do mar, é porque já tinha para ti um projeto, e não tente apressar as coisas! Acerte o seu relógio com o meu e você terá as respostas que busca. Volte para o seu lugar. É hora de agir.
O céu não entendeu nada. Mas foi embora. No caminho, encontrou a Estrela Cadente. Trazia um sorriso nos olhos. Ficaram se olhando um tempão. A Estrela lhe abraçou e disse:
-Há muito tempo te amo, Céu. Esqueci que além de fazer os outros sonhar, eu também sonho! Mas quem me faz sonhar é você! Porque eu só sou estrela cadente, quando passeio no Céu! Quando você não está, eu não existo!
-...E quando você não brilha, eu não encanto os olhos de quem me vê...
Um Céu apaixonado por uma estrela. Dizem que eles se casaram, não se sabe ao certo. Mas toda vez que alguém vê uma estrela cadente, muitos juram que do ladinho dá pra ver outra luz... E um Céu sorrindo, orgulhoso, porque o seu amor é capaz de fazer todos sonhar, inclusive ele...
***
É muito bom ter você como inspiração dos meus sonhos e histórias. É muito bom olhar você e sonhar...

Esta história foi originalmente escrita por ocasião do nosso segundo aniversário de namoro que celebramos no dia 07 de novembro do ano passado. Junto com o presente, entreguei uma cartinha em que escrevi este texto. Lembro-me bem da carinha de felicidade que ela fez quando leu... Não vejo a hora de celebrarmos o terceiro ano...

7 comentários:

Anne disse...

Que bonito em amigo? ;)

Bruna Bloinski disse...

Eu adoro reler cartinhas! Tem algumas que sei quase de cor...
Essa é uma das preferidas e ADORO ter uma namorado contador de histórias que faz da nossa, a mais encantadora! *-*

Bruna Bloinski disse...

Ahhhh... acho bem fofo a estrelinha ter renite! ♥ o/

Joice disse...

Que romantico!!!

Bjs.

Polyanna disse...

Que fofo! A estrelinha espirrando foi um charme! Adorei, queridos!!

Adeline disse...

Nooooossa...ameeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei! De verdade!
Linda, linda...
Meus sobrinhos vão adorar as historinhas do papai! =D

Adeline disse...

Descobri que Deus bebe café, olha só hahahaa